MISS PARIPUEIRA
(A MISS DA LOUCURA)

Ambrosina Maria da Conceição
Ambrosina Maria da Conceição nasceu em 1900*, em Porto Calvo-AL** e viveu na comunidade de Paripueira uma Vila agregada à cidade de Barra de Santo Antônio-AL, hoje cidade, e faleceu pela primeira vez (foi “assassinada” por um jornal, que publicou a sua morte por atropelamento no Centro de Maceió. Meses depois, já recuperada do acidente que a levou a ficar internada por um bom tempo, voltou a circular. Quando soube da notícia sobre sua morte, não vacilou: a responsável pela mentira era a sua arquirrival Lulu da Barra. Com a sua morte, em maio de 1998, Alagoas perdeu uma de suas figuras mais populares. Teve uma doença de origem nervosa e aos 14 anos já não atinava.
Ambrosina teve uma única filha, Almira Maria da Conceição, netos e bisnetos. Com a enfermidade, assumiu o papel de beata e passou a percorrer as ruas e praias de Paripueira portando uma bandeja com a imagem de Santa Rita sobre flores. "Vizinha", como era conhecida, pedia contribuição para uma novena que seria realizada em sua casa. Essa novena era infinda.
Um dia, agravada pelos constantes delírios, sentiu-se linda e maravilhosa e se coroou ou coroaram-na de Miss Paripueira. Nos meses de Janeiro, nas festas de Santo Amaro, era a alegria da meninada, divertida com seus colares e balangandans, suas roupas coloridas e um sorriso constante na boca como se tivesse mangando do mundo, tornou-se símbolo da cidade. Nos carnavais ela percorria a maratona carnavalesca na rua do Comércio em Maceió, o banho de mar à fantasia na Avenida da Paz e gostava de acompanhar os blocos pela cidade.
Um dia, agravada pelos constantes delírios, sentiu-se linda e maravilhosa e se coroou ou coroaram-na de Miss Paripueira. Nos meses de Janeiro, nas festas de Santo Amaro, era a alegria da meninada, divertida com seus colares e balangandans, suas roupas coloridas e um sorriso constante na boca como se tivesse mangando do mundo, tornou-se símbolo da cidade. Nos carnavais ela percorria a maratona carnavalesca na rua do Comércio em Maceió, o banho de mar à fantasia na Avenida da Paz e gostava de acompanhar os blocos pela cidade.
Cheia de adereços e sempre de óculos escuros, Miss Paripueira se sentia bonita e cobiçada pelos homens, mas sempre aguardando o português da novela, seu eterno noivo Salgado Sales. Gostava de ouvir música para dançar (dançava muita em frente da LOBRAS), principalmente no carnaval, quando se portava como se fosse a porta-bandeira dos principais blocos de Maceió. Vulcão, Cavaleiro dos Montes e Vou Botar Fora tiveram a honra de ter Miss Paripueira fazendo o passo e trazendo alegria para seus foliões.
Sua peregrinação diária transcorria sem maiores aborrecimentos, até os “maloqueiros” azucrinarem a sua paciência. Eles a chamavam de Sabiá ou Canela de Sabiá, apelidos que ela detestava. Ambrosina, uma senhora de origem negra, magra e de estatura baixa, perdia a calma e gritava: “Meu nome é Miss Paripueira!”, alcunha pela qual se tornou conhecida e como ainda permanece viva na lembrança de muitos alagoanos.
Quando avistada pela criançada, Ambrosina não tinha sossego. Uma das brincadeiras que mais a desagradava era quando a garotada arrancava a sua peruca. A reação dela sempre rendia boas gargalhadas e também carreiras dos meninos pOpções
ara evitar uma pancada com a sua sombrinha.
ara evitar uma pancada com a sua sombrinha.
Outro momento em que a agressividade aparecia era quando pedia dinheiro e recebia um não como resposta. Insistia com os pedidos e terminava incomodando, gerando atritos. Quando percebia que não teria sucesso, esculhambava até a quinta geração de quem se negava a lhe oferecer uns trocados.
O artista, cineasta, poeta José Marcio Passos dirigiu e produziu um curta documentário, “Meu Nome é Miss Paripueira”, exibido em 1978 no Festival de Cinema Brasileiro de Penedo.
Nota:
Nota:
* Não acredito que tenha nascido em 1900 e tenha falecido aos 98 anos, porque na
época de sua morte, aparentava ter entre 70 e 80 anos.
época de sua morte, aparentava ter entre 70 e 80 anos.
** Informações da internet dão conta de que ela é natural de Paripueira e que "não se sabe nem quando nem onde nasceu" mas sabemos que ela existiu sim e eu a conheci pessoalmente e que continua viva em nossas memórias.
Saudades dessa louca.
Saudades dessa louca.
Ambrosina Maria da Conceição, a Miss Paripueira
Miss Paripueira em foto de Celso Brandão
Miss Paripueira no Programa do Pell Marques
Miss Paripueira não gostava de ser chamada de Canela de sabiá
Em 1982, foi modelo de Collor em programa eleitoral
Almira Maria da Conceição - Única filha de Ambrosina
Fontes - Ernani Viana (Carnaval em Alagoas), Jornal Última Palavra de dezembro de 1988, nº 51 e o texto “Olha a Miss Paripueira!” de Francisco Ribeiro, publicado em Graciliano On-Line. Dicionário Mulheres de Alagoas, Ontem e Hoje - Enaura Quixabeira Rosa e Silva, Edilma Acioli Bomfim. (*) (**)







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